Sexta-feira, Dezembro 26, 2003
O medo do amor
Martha Medeiros
Medo de amar? Parece absurdo, com tantos outros medos que temos que enfrentar: medo da violência, medo da inadimplência, e a não menos temida solidão, que é o que nos faz buscar relacionamentos. Mas absurdo ou não, o medo de amar se instala entre as nossas vértebras e a gente sabe por quê.
O amor, tão nobre, tão denso, tão intenso, acaba. Rasga a gente por dentro, faz um corte profundo que vai do peito até a virilha, o amor se encerra bruscamente porque de repente uma terceira pessoa surgiu ou simplesmente porque não há mais interesse ou atração, sei lá, vá saber o que interrompe um sentimento, é mistério indecifrável. Mas o amor termina, mal-agradecido, termina, e termina só de um lado, nunca se encerra em dois corações ao mesmo tempo, desacelera um antes do outro, e vai um pouco de dor pra cada canto. Dói em quem tomou a iniciativa de romper, porque romper não é fácil, quebrar rotinas é sempre traumático. Além do amor existe a amizade que permanece e a presença com que se acostuma, romper um amor não é bobagem, é fato de grande responsabilidade, é uma ferida que se abre no corpo do outro, no afeto do outro, e em si próprio, ainda que com menos gravidade.
E ter o amor rejeitado, nem se fala, é fratura exposta, definhamos em público, encolhemos a alma, quase desejamos uma violência qualquer vinda da rua para esquecermos dessa violência vinda do tempo gasto e vivido, esse assalto em que nos roubaram tudo, o amor e o que vem com ele, confiança e estabilidade. Sem o amor, nada resta, a crença se desfaz, o romantismo perde o sentido, músicas idiotas nos fazem chorar dentro do carro.
Passa a dor do amor, vem a trégua, o coração limpo de novo, os olhos novamente secos, a boca vazia. Nada de bom está acontecendo, mas também nada de ruim. Um novo amor? Nem pensar. Medo, respondemos.
Que corajosos somos nós, que apesar de um medo tão justificado, amamos outra vez e todas as vezes que o amor nos chama, fingindo um pouco de resistência mas sabendo que para sempre é impossível recusá-lo.
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Tragédia contada por Belinha às 4:21 AM
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Quarta-feira, Dezembro 24, 2003
Feliz Natal para todos. Hoje é um dia, para muitos, religioso. Para outros, é apenas mais um dia em que o mercado ganha dinheiro e as pessoas gastam o pouco que tem. Mas afinal seja religioso ou não, é um motivo para juntar a família e deixar para lá as diferenças que tiveram. Dia de refletir sobre todas as coisas do ano, todos os atos, os bons e maus momentos...
Eu nem contei, mas minha cachorra morreu afogada a 2 dias atrás... bateu uma tristeza, mas foi melhor assim... ela estava sofrendo muito.
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Tragédia contada por Belinha às 8:34 PM
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Terça-feira, Dezembro 23, 2003
Férias... ou melhor, recesso!!! Seja o que for, é bom demais não estar na cidade que vc mora... e poder ver pessoas que a tempos vc não via...
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Tragédia contada por Belinha às 10:44 AM
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Sábado, Dezembro 13, 2003
Estava aqui remexendo em algumas coisas e acabei encontrando algumas palavras (gravadas aqui no micro) que me fizeram lembrar momentos passados nas minhas férias. Momentos esses que eu não me esqueço das amizades que fiz e de outras que pude perceber que não eram bem amizades. Sim, acho que algumas pessoas puderam acompanhar o começo do blog, os meus desabafos mentais que neste recinto externei para que não morresse sufocada dentro de meus devaneios e tristezas.
Mudei sim. Me sinto muito mais madura, mas confiante, menos triste (só de vez em quando), mais cheia de vida e principalmente, com meu lado profissional deslanchando como sonhei. Estou menos dependente das pessoas, do cigarro (sim, parei!!), dos alimentos, dos amores... mas ainda assim, sinto saudade de uma pessoa que foi muito especial em minha vida... e devo à essa pessoa o que sou hoje. Pelos problemas passados, pelo que me fez sofrer e amadurecer, por me mostrar que devo ter mais atenção com os amigos, com a família. Espero ter contribuido em alguma parte de seu crescimento pessoal.
Saudade de Manaus, das amizades que lá deixei, onde acabei passando coisas boas e ruins (as ruins eu deixei pra lá). Mas quero voltar novamente, para rever os amigos que deixei e os amigos que eu não sabia que moravam lá (vou visitar vocês sim). Saudade de minha estada em Fortaleza, de todas as risadas, conversas e noitadas em claro. També vou para Fortaleza (daqui a pouco vou para todos os lugares!!!!).
Sinceramente não tenho muito do que reclamar de minha vida. Claro que não sou mais da night, mas às vezes dou meus pulinhos (e depois morro de ódio de estar com sono no dia seguinte), mas aprendi a valorizar o aconchego da minha casa, de meus familiares. Tenho meus estresses dos trabalhos, mas percebo que sem eles não sou nada, que quando passo muito tempo ociosa em casa, logo que vem a vontade de fazer alguma coisa, de ir trabalhar, de render o que sei que tenho em potencial (parece loucura, pois eu nunca me imaginaria escrevendo isso). Ah... meu momento workaholic passou (ainda bem). Mas é muito bom ficar, de vez em quando, acordada até tarde e poder dormir até não ter mais sono.
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Tragédia contada por Belinha às 11:43 PM
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Terça-feira, Dezembro 09, 2003
Um mestre oriental que viu que um escorpião estava se afogando decidiu tirá-lo da água, mas quando o fêz o escorpião o picou. Pela reação de dor, o mestre o soltou e o animal caiu de novo na água e estava se afogando de novo. O mestre tentou tirá-lo novamente e novamente o animal o picou. Alguém que estava observando se aproximou do mestre e lhe disse: "Desculpe-me mas você é teimoso ! Não entende que todas as vezes que tentar tirá-lo da água ele irá picá-lo ?" O mestre respondeu: " A natureza do escorpião é picar, e isto não vai mudar a minha, que é ajudar". Então, com a ajuda de uma folha o mestre tirou o escorpião da água e salvou sua vida.
Não mude sua natureza se alguém te faz algum mal; apenas tome precauções
Alguns perseguem a felicidade, outros a criam.
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Tragédia contada por Belinha às 12:08 PM
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Quarta-feira, Dezembro 03, 2003
"Eu poderia suportar, embora não sem dor, que
tivessem morrido todos os meus amores, mas
enlouqueceria se morressem todos os meus amigos!
A alguns deles não procuro, basta-me saber que
eles existem. Esta mera condição me encoraja a
seguir em frente pela vida...mas é delicioso que
eu saiba e sinta que os adoro, embora não
declare e não os procure sempre..."
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Tragédia contada por Belinha às 4:29 PM
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