26.6.08
Nós estamos sentadas almoçando quando minha filha casualmente menciona que ela e seu marido estão pensando em 'começar uma família'.
'Nós estamos fazendo uma pesquisa', ela diz, meio de brincadeira.
'Você acha que eu deveria ter um bebê?'
'Vai mudar a sua vida,' eu digo, cuidadosamente mantendo meu tom neutro.
'Eu sei,' ela diz, 'nada de dormir até tarde nos finais de semana, nada de férias espontâneas.. .'
Mas não foi nada disso que eu quis dizer. Eu olho para a minha filha, tentando decidir o que dizer a ela. Eu quero que ela saiba o que ela nunca vai aprender no curso de casais grávidos. Eu quero lhe dizer que as feridas físicas de dar à luz irão se curar, mas que tornar-se mãe deixará uma ferida emocional tão exposta que ela estará para sempre vulnerável.
Eu penso em alertá-la que ela nunca mais vai ler um jornal sem se perguntar 'E se tivesse sido o MEU filho?' Que cada acidente de avião, cada incêndio irá lhe assombrar. Que quando ela vir fotos de crianças morrendo de fome, ela se perguntará se algo poderia ser pior do que ver seu filho morrer. Olho para suas unhas com a manicure impecável, seu terno estiloso e penso que não importa o quão sofisticada ela seja, tornar-se mãe irá reduzí-la ao nível primitivo da da ursa que protege seu filhote. Que um grito urgente de 'Mãe!' fará com que ela derrube um suflê na sua melhor louça sem hesitar nem por um instante.
Eu sinto que deveria avisá-la que não importa quantos anos ela investiu em sua carreira, ela será arrancada dos trilhos profissionais pela maternidade. Ela pode conseguir uma escolinha, mas um belo dia ela entrará numa importante reunião de negócios e pensará no cheiro do seu bebê. Ela vai ter que usar cada milímetro de sua disciplina para evitar sair correndo para casa, apenas para ter certeza de que o seu bebê está bem.
Eu quero que a minha filha saiba que decisões do dia a dia não mais serão rotina. Que a decisão de um menino de 5 anos de ir ao banheiro masculino ao invés do feminino no McDonald's se tornará um enorme dilema. Que ali mesmo, em meio às bandejas barulhentas e crianças gritando, questões de independência e gênero serão pensadas contra a possibilidade de que um molestador de crianças possa estar observando no banheiro.
Não importa o quão assertiva ela seja no escritório, ela se questionará constantemente como mãe.
Olhando para minha atraente filha, eu quero assegurá-la de que o peso da gravidez ela perderá eventualmente, mas que ela jamais se sentirá a mesma sobre si mesma. Que a vida dela, hoje tão importante, será de menor valor quando ela tiver um filho. Que ela a daria num segundo para salvar sua cria, mas que ela também começará a desejar por mais anos de vida -- não para realizar seus próprios sonhos, mas para ver seus filhos realizarem os deles.
Eu quero que ela saiba que a cicatriz de uma cesárea ou estrias se tornarão medalhas de honra.
O relacionamento de minha filha com seu marido irá mudar, mas não da forma como ela pensa. Eu queria que ela entendesse o quanto mais se pode amar um homem que tem cuidado ao passar talco num bebê ou que nunca hesita em brincar com seu filho. Eu acho que ela deveria saber que ela se apaixonará por ele novamente por razões que hoje ela acharia nada românticas.
Eu gostaria que minha filha pudesse perceber a conexão que ela sentirá com as mulheres que através da história tentaram acabar com as guerras, o preconceito e com os motoristas bêbados.
Eu espero que ela possa entender porque eu posso pensar racionalmente sobre a maioria das coisas, mas que eu me torno temporariamente insana quando eu discuto a ameaça da guerra nuclear para o futuro de meus filhos.
Eu quero descrever para minha filha a enorme emoção de ver seu filho aprender a andar de bicicleta. Eu quero mostrar a ela a gargalhada gostosa de um bebê que está tocando o pelo macio de um cachorro ou gato pela primeira vez. Eu quero que ela prove a alegria que é tão real que chega a doer. O olhar de estranheza da minha filha me faz perceber que tenho lágrimas nos olhos.
'Você jamais se arrependerá', digo finalmente. Então estico minha mão sobre a mesa, aperto a mão da minha filha e faço uma prece silenciosa por ela, e por mim, e por todas as mulheres meramente mortais que encontraram em seu caminho este que é o mais maravilhoso dos chamados. Este presente abençoado de Deus... que é ser Mãe.'
____________________
18.6.08
Isso aconteceu a uns 5 dias atrás....
Socorroooooooo
Pensamentos ruins invadem minha cabeça.
Meu coração acelera a mil.
Estou suando frio... minhas mãos estão geladas.
Não sei mais o que fazer, mandar mensagem? Ligar novamente?
Não sei em que acreditar. Porque não acredito em você? Porque nesse momento não consigo confiar? O que está acontecendo comigo? Não sou assim....
Por favor, tira essa coisa ruim de mim. Não deixe ela me invadir e me fazer sofrer.
Já liguei várias vezes, já mandei várias mensagens.... vou ter um infarto. Quero ligar novamente... Já olhei e fiz as contas, já era hora de chegar, de dar notícia. Por o onde anda? Penso coisas ruins... penso em sair, penso em não ficar em casa. Penso em chorar de desespero. Mas porque chorar? Porque? Porque essa vontade repentina de chorar e de fazer coisas que eu não quero? Porque não consigo me contentar em ficar em casa? Porque penso que não posso ficar em casa enquanto está se divertindo?
Quero procurar alguém, mas ao mesmo tempo não quero... talvez não queira escutar que estou ficando psico, que estou inventando coisas... Dei um prazo para mim, mas ele está acabando. Meu Deus... me ajude....
Lágrimas correm
Motivo incerto
Medo?
Insegurança?
O que?
Silêncio que mata
Falta de notícia
Tempo passando
MISS IMPERFEITA
'Eu não sirvo de exemplo para nada, mas, se você quer saber se isso é
possível, me ofereço como piloto de testes. Sou a Miss imperfeita, muito
prazer.
Uma imperfeita que faz tudo o que precisa fazer como boa profissional, mãe e
mulher que também sou: trabalho todos os dias, ganho minha grana, vou ao
supermercado três vezes por semana, decido o cardápio das refeições, levo os
filhos no colégio e busco, almoço com eles, estudo com eles, telefono para
minha mãe todas as noites, namoro, viajo, vou ao cinema, pago minhas
contas, respondo a toneladas de e-mails, faço revisões no dentista,
mamografia, caminho meia hora diariamente, compro flores para casa,
providencio os consertos domésticos, participo de eventos e reuniões ligados
à minha profissão e ainda faço escova toda semana - e as unhas! E, entre uma
coisa e outra, leio livros.
Portanto, sou ocupada, mas não uma workaholic. Por mais disciplinada
e responsável que eu seja, aprendi duas coisinhas que operam milagres.
Primeiro: a dizer NÃO. Segundo: a não sentir um pingo de culpa por
dizer NÃO.Existe a Coca Zero, o Fome Zero, o Recruta Zero. Pois inclua na sua
lista a Culpa Zero.
Quando você nasceu, nenhum profeta adentrou a sala da maternidade e
lhe apontou o dedo dizendo que a partir daquele momento você seria modelo
para os outros. Seu pai e sua mãe acredite, não tiveram essa expectativa:
tudo o que desejaram é que você não chorasse muito durante as madrugadas e
mamasse direitinho.
E, se não aprender a delegar, a priorizar e a se divertir, bye-bye
vida interessante. Porque vida interessante não é ter a agenda lotada, não é
topar qualquer projeto por dinheiro, não é atender a todos e criar para si a
falsa impressão de ser indispensável.
É ter tempo. Tempo para fazer nada. Tempo para fazer tudo. Tempo
para dançar sozinha na sala. Tempo para bisbilhotar uma loja de discos.
Tempo para sumir dois dias com seu amor. Três dias. Cinco dias! Tempo
para uma massagem. Tempo para receber aquela sua amiga que é consultora de
produtos de beleza. Tempo para fazer um trabalho voluntário. Tempo para
procurar um abajur novo para seu quarto.
Tempo para conhecer outras pessoas. Voltar a estudar. Para engravidar.
Tempo para escrever um livro que você nem sabe se um dia será editado.
Tempo, principalmente, para descobrir que você pode ser perfeitamente
organizada e profissional sem deixar de existir.
Porque nossa existência não é contabilizada por um relógio de ponto
ou pela quantidade de memorandos virtuais que atolam nossa caixa postal.
Existir, a que será que se destina? Destina-se a ter o tempo a favor, e não
contra.
A mulher moderna anda muito antiga. Acredita que, se não for super,
se não for mega, se não for uma executiva ISO 9000, não será bem avaliada.
Está tentando provar não-sei-o-quê para não-sei-quem. Precisa respeitar o
mosaico de si mesma, privilegiar cada pedacinho de si. Se o trabalho é um
pedação de sua vida, ótimo!
Desacelerar tem um custo. Talvez seja preciso esquecer a bolsa
Prada, o hotel decorado pelo Philippe Starck e o batom da M.A.C.
Mas, se você precisa vender a alma ao diabo para ter tudo isso,
francamente, está precisando rever seus valores. E descobrir que uma bolsa
de palha, uma pousadinha rústica à beira-mar e o rosto lavado (ok, esqueça o
rosto lavado) podem ser prazeres cinco estrelas e nos dar uma nova
perspectiva sobre o que é, afinal, uma vida interessante'.
Amar não é apoderar-se do outro para completar-se,
mas dar-se ao outro para completá-lo.
____________________
10.6.08
Não quero mais sentir isso. Mas também não quero mais escrever para relembrar meus sentimentos, ou revivê-los ao colocar em palavras tudo que estou sentindo.
Quero apenas que isso passe. De um jeito ou de outro, mas quero que apenas passem.
Estou cansada de sentir isso, cansada de sentir raiva, cansada de tudo.
Fico feliz de encontrar amigos que não estavam bem e que hoje estão melhorando, caminhando para uma vida plena e feliz. Evoluindo.
Eu ao contrário... acho que cada vez mais estou indo para o abismo. Sei lá... ontem tive essa impressão. Sempre me achei forte, batalhadora, esperançosa de que coisas boas realmente podem acontecer. Mas a vida tem me mostrado outras coisas.... e eu... Bem, eu tenho estado mais deprimida, mas introvertida, mais nervosa,mais chorona, mais irritada, mais triste, mostrando muito mais o que não sou ou o que não estou sentido... Talvez para que as pessoas não me perguntem o que eu tenho ou porque estou assim. Talvez pelo fato de querer estar cada vez mais afastada das pessoas, não querer conversar ou me envolver.
Sinceramente não sei o que se passa comigo, mas sinto. Sinto que estou esvaindo, que estou me perdendo dentro de algo que desconheço. Não sou mais eu, não me sinto mais eu. Me sinto como uma máscara que todos querem ver, que gostam de ver.
Acho que essa reflexão se deve pelo fato da possibilidade de não passar um final de semana com o Daniel. É estranho sabe? Porque eu acho que as coisas seriam tão mais normais se a gente morasse junto. Eu acho que não teria mais tanta necessidade de estar com ele e de conviver com ele nos finais de semana por conta disso. Ou será que estou sendo egoísta? Estou sendo? Não sei... as vezes acho que sim, as vezes acho que não (apenas pelo fato de não morarmos juntos, a desculpa). Ou isso será apenas uma desculpa para não ver o que realmente está acontecendo?
Fiquei com raiva ontem. Raiva de saber que por mais que se possa ganhar bem, essa instituição (seja pública ou privada) vai tirar a tua vida. Vai tirar o teu dinheiro de viver uma vida que não seja a de trabalho. Então pra que ganhar tão bem? Pra que ter tanto dinheiro se vc não vai poder partilhar disso com a pessoa que vc ama ou com aquela que vc sente vontade? Me pergunto até onde isso realmente vale a pena. Até onde vale a pena por dinheiro... por achar que o dinheiro vai trazer a tranquilidade de uma vida, o conforto, a paz. QUE PAZ??????????????????? A paz de que viver? De pensar apenas no trabalho? De não saber mais o que se passa a sua volta a não sei aquele micro mundinho empresarial?
Tenho o direito de odiar... Odiar a instituição que acha que todo mundo tem obrigação de abdicar da sua vida por um ideal empresarial, que por achar que paga um salário tem total domínio sobre a sua vida. Se isso for verdade, então nunca mais vou poder programar porra nenhuma? Sou refém desse sistema burro e inútil? Com uma sociedade consumista?
Acho que já estou delirando. Além da dor de cabeça que não me larga.
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9.6.08
EU ODEIO A MERDA DA POLÍCIA
ODEIOOOOOOOOO
Não me peça para entender ou para querer saber mais qualquer coisa sobre ela.. não quero saber, não quero ouvir falar... simplesmente não quero que ela faça parte da minha vida... não me importo. Quero é falar mal, falar mal de uma merda de uma instituição que não pensa nos funcionários, que não pensa que todos tem família para se dedicar.... sinceramente...
Agora não posso mais fazer planos?
PUTA QUE PARIU
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2.6.08
As vezes bate a saudade. Saudade do amor, saudade dos amigos, saudade de algo que nunca aconteceu, saudade de pensar em possibilidades, saudade de uma vida sem um vazio sem sentido.
Fico triste apenas de pensar nessa solidão ao voltar para casa, na casa vazia e silenciosa. Nos amigos que estão longe e que, no momento, não posso abraçá-los. Nas conversas que não tenho a noite, no sorriso atoa, na falta de saber que no único instante que paro no dia, é a hora que percebo que não adianta encher o dia, se vai existir um único momento em que me sentirei triste. Achando que ao completar as tarefas, não terei forças para me ver só, para pensar. Mero engano perceber que nada vai mudar, que a solidão está na pessoa e não na ocasião, no momento... ela acompanha, onde é que esteja, sempre paciente esperando o momento adequado para ser lembrada e sentida na mais profunda de todas as sensações...
AH SOLIDÃO... VOCÊ VEIO NA HORA ERRADA E EU NÃO TE QUERO AQUI...
____________________
Nome: Eu
Nascimento: 02/01
Onde trabalho: Em algum lugar
Amo: meu marido,
comida japonesa, músicas, gestão ambiental, meus amigos, filmes, dançar.
Odeio: MENTIRA, ficar me mudando e deixar minha vida profissional de lado, ficar sem trabalhar, gente que se faz de vítima, rock pesado, esperar (qq coisa)...
Acontece, fazer o que?
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